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Danos à audição causados por MP3 players

19/05/2011

Atualmente, a maioria dos jovens não consegue imaginar a vida sem telefones celulares e MP3 players. Fazer festa e se divertir é o objetivo, e a música alta faz parte disto sempre. Para muitos fãs de pop e hip-hop, música alta não é suficiente, como foi revelado por uma pesquisa da rede de Tv alemã RTL. Esta diversão está garantida em qualquer lugar com um MP3 player, um tocador de música pequeno e super leve, e por isso usado intensivamente.

De acordo com um estudo inglês, 39% dos jovens entre 18 e 24 anos ouvem música por pelo menos uma hora por dia em uma intensidade que pode chegar a até 105 decibéis. Isto quer dizer que eles estão expondo seus ouvidos a um nível de pressão sonora que eles não deveriam tolerar por mais de 25 minutos por semana. Estima-se que com esta superexposição permanente há o risco de surdez em mais ou menos cinco anos. O problema com a música alta é que ela transmite uma experiência emocional, e, por isso, é naturalmente considerada mais prazerosa do que sons altos gerados por equipamento de trabalho como furadeiras e serras elétricas.


Alerta para o risco de efeitos adversos permanentes

O comitê científico europeu Emerging and Newly Identified Health Risks abordou o problema, e em um relatório publicado recentemente, comenta que MP3 player e outros aparelhos de áudio portáteis com fones de ouvido podem prejudicar seriamente a audição. O risco existe para de 5 a 10% dos 10 milhões de usuários na União Européia. Dadas as repercussões para a saúde, a Comissão Européia pretende examinar “que medidas podem ser tomadas para proteger crianças e jovens da exposição ao ruído que eles vivenciam com MP3 player e aparelhos similares”.

Se você considerar que, de acordo com as diretrizes do Parlamento Europeu, adotadas em Fevereiro de 2008 como direito nacional para membros da UE, protetores de ouvido devem ser usados no trabalho quando o nível de ruído for, constantemente, em 80 decibéis ou mais, você pode ver como são alto os riscos de danos irreversíveis à audição causados por MP3 players, principalmente porque jovens não sabem deste fato, ou não o levam a sério. O Professor Hasso von Wedel, Chefe do departamento de Ouvido, Nariz e Garganta da Cologne Uniklinik confirma, “O problema é claramente subestimado, pois os sintomas geralmente aparecem anos depois. Na Alemanha isto ainda não foi entendido claramente. Como as consequências, ruído e perda auditiva, por exemplo, são geralmente irreversíveis, é fundamental que sejamos ativos na proteção aos jovens.”


Dano irreparável

Os danos causados pelo uso frequente de aparelhos MP3 em volume alto acontece devido à lesão nas células ciliadas da cóclea. Estas micro estruturas  sensitivas transformam a onda sonora em impulsos elétricos ao centro da audição no cérebro,o que permite que percebemos a informação como som. O médico otorrinolaringologista Roland Schuderer explicou que os danos causados pela exposição ao ruído no ouvido interno da seguinte forma: “Imagine uma plantação de milho. Com uma brisa leve os caules apenas se envergam. Numa tempestade eles se quebram”.

Há anos os custos resultantes da exposição a ruídos elevados vêm aumentando. Enquanto a maior parte dos danos costumavam ser causados por frequentar danceterias, hoje ele é cada vez mais atribuído ao uso contínuo dos MP3 players. Entretanto, nós ainda não entendemos com precisão o problema, já que faltam dados sobre o comportamento do usuário, como nível do volume usado. O que é certo, no entanto, é que nos últimos seis anos, as despesas dos convênios com aparelhos auditivos para crianças e jovens cresceu 30% na Alemanha. De acordo com estimativas do Centro Federal de Educação para a Saúde, aproximadamente um quarto dos jovens entre 16 e 24 anos sofre de danos auditivos. Como esta preocupante tendência deve continuar, um profissional de saúde auditiva previu que um terço dos jovens de hoje precisará de aparelhos auditivos aos 50 anos.

Fonte: Anno Bachem para Revista Hear the World nº 9

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