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Hear the World alerta!

20/08/2010

Estudo realizado nos EUA demonstra que 1 entre 5 jovens pode estar sofrendo de alguma alteração auditiva. Esse número corresponde a um aumento de 31% do índice de jovens com perda auditiva desde meados dos anos 90.

De acordo com o estudo publicado no Journal of the American Medical Association, jovens adolescentes estão perdendo sua audição, sem ao menos perceberem alguma mudança. Os dados apontam ainda que, em média, 1 a cada 20 adolescentes já possui um comprometimento leve  ou um pouco pior na sensibilidade auditiva, o que na prática significa que essas alterações já interferem na atenção ao professor na situação de sala de aula, por exemplo ou dificuldades para acompanhar uma conversa em grupo com amigos.

Os pesquisadores observaram que a maioria das alterações é leve, afeta uma orelha e na maioria das vezes compromete a audição para sons de frequências mais altas. Os dados do estudo foram obtidos por meio de entrevistas realizadas com aproximadamente 4700 sujeitos com idades variando entre 12 e 19 anos.

“É algo muito preocupante”, diz o médico otorrinolaringologista Josef Shargorodsky , autor do estudo e residente do Massachusetts Eye and Ear Infirmary in Boston.

Outras pesquisas realizadas demonstram que uma perda de audição, por menor que seja, já interfere no aprendizado, desenvolvimento de linguagem e interação social.

Muitas vezes as mudanças podem nem ser notadas pelos próprios pais. Um sinal que a audição pode estar em risco é a queda no desempenho escolar, por exemplo.

As dificuldades decorrentes de uma perda auditiva podem ter um efeito cumulativo para o indivíduo. Por este motivo, ao invés de sentir os efeitos provocados pela diminuição da sensibilidade auditiva por volta dos 50/60 anos, como seria esperado, esses jovens deverão requerer cuidados quando na idade adulta por volta dos 40 anos.

No estudo publicado, não foi observada relação entre a ocorrência de infecções no ouvido e perda auditiva. Sujeitos que informaram estar expostos a fortes níveis sonoros não pareceram se preocupar com uma possível perda auditiva, apesar de sabermos que, em geral, os adolescentes não têm a preocupação de evitar a exposição prolongada a sons fortes e nem são muito precisos em classificar o que é um som forte.

Os autores observaram que, entre os sujeitos entrevistados, houve uma relação entre situação sócio-econômica e maior ocorrência de alteração auditiva. Aqueles sujeitos  que  estão abaixo do que seria considerado a linha da pobreza apresentaram maior risco de desenvolver uma perda auditiva provavelmente por apresentarem um estado geral de saúde mais prejudicado.

A pesquisa desperta atenção para a necessidade de pensarmos em estratégias de proteção à audição das crianças e jovens – “As crianças estão crescendo em um mundo muito mais ruidoso” alerta Fligor.

Um outro estudo realizado na Austrália com jovens que apresentavam perda auditiva de grau leve a moderado demonstrou que o uso de MP3 players, como iPod, por exemplo, esteve relacionado com o aumento em 70% das chances de desenvolvimento de uma perda auditiva. Um outro estudo realizado com estudantes da Universidade de nova York demonstrou que mais da metade desses jovens tinham o costume de utilizar o MP3 num volume além do recomendado pelos níveis de segurança (80% do volume máximo para um período de 90 minutos por dia).

Mas o uso do iPod ou a participação em shows em geral, por exemplo, não são a única fonte sonora preocupante deste universo: partidas de futebol em estádios, jogos, atividades que possuem som em geral geralmente estão vinculadas a exposição sonora a níveis que vão além do que seria recomendado enquanto níveis de segurança para exposição. E como proteger os ouvidos neste contexto? A utilização de fones para proteção ou protetores auriculares pode ser a solução. 

Outros problemas de saúde também podem interferir na audição das crianças – problemas como pressão alta e obesidade podem aumentar o risco da criança vir a desenvolver alguma alteração auditiva. “ O número de crianças diagnosticadas com diabetes tem crescido muito nos últimos anos, e cerca de um terço das crianças estão acima do peso” diz Fligor.

O ruído é cada vez mais presente, a exposição existe e as consequências disso infelizmente só poderão ser observadas ao longo de um tempo.

Fonte: HtW_Matéria de  Liz Szabo, para o USA TODAY

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A atriz Gwyneth Paltrow e sua filha Apple usando protetor auricular durante o show da banda Coldplay em 2005.