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O mundo dos sentidos
14/09/2010
Eldertronics, ou eletrônica para idosos – Usando a tecnologia para lidar com a velhice
Alexandre o Grande morreu aos 33 anos, Mozart aos 36, e até mesmo Descartes viveu apenas até os 45 anos. Atualmente, as pessoas podem facilmente viver duas vezes mais, especialmente no Japão, Grã Bretanha, Alemanha, França e Itália. Afinal de contas, nestes países a expectativa de vida de recém nascidos é cada vez maior, até dois anos e meio por década, seis horas por dia. De acordo com Umberto Eco, isto significa que o grande progresso da humanidade foi prolongar nossas vidas.
Mas falando francamente, quem quer ser velho? ... Envelhecer... Em outras palavras, continuar a acumular anos, mas sem passar por todas as coisas geralmente associadas à velhice, como doenças, dor e perda. Entretanto, lembro-me do caso do famoso pintor Marc Chagall que chegou aos 97 anos e uma vez disse: “Pessoas que não querem envelhecer são as mesmas pessoas que não sabem ser jovens.”
Uma mudança de cenário para uma sala de estar comum. Ela passa algumas horas por dia em sua escrivaninha. Seu nome é Anne, e fez 79 anos há três dias. Quando seu filho foi para a Austrália, ele a aconselhou a ter um computador. No começo ela estava cética, mas mais tarde, após um curso de introdução para “cidadãos sênior” ela não só havia aprendido a manter contato com seu filho e família, mas também havia se acostumado com a Internet. Em primeiro lugar, ela descobriu a mensagem eletrônica, que chega ao destinatário num piscar de olhos, mesmo que ele esteja do outro lado do mundo. “Fóruns” e “weblogs” agora lhe oferecem uma forma de auto-ajuda e palavras que não significavam nada para ela, agora são entendidas prontamente, pois significam algo concreto; frases como “voice over IP”, uma forma extremamente barata de fazer chamadas telefônicas usando o computador (tecnologia do Skype) e recentemente descobriu o “bate papo com vídeo”. Na Internet ela também encontrou filmes de “geriatric 1927" ou Peter da Grã Bretanha. Peter tinha 79 anos, exatamente a mesma idade de Anne, quando ele começou a se apresentar no site de vídeos YouTube. Desde então, centenas de milhares de pessoas viram e ouviram Peter, um pensionista sentado em sua poltrona com um papel de parede estampado ao fundo, falando sobre sua vida.

Anne e Peter não são os únicos “sêniors” a descobrirem coisas novas, mais e mais pessoas com a mesma idade deles estão aprendendo os benefícios dos recursos eletrônicos. E cada vez mais empresas estão tentando adaptar-se às necessidades de pessoas desta faixa etária. Algumas coisas estão sendo reinterpretadas, outras desenvolvidas pela primeira vez. A palavra da moda é eldertronics, fusão das palavras “idoso” e “eletrônico” em inglês. Isto quer dizer alta tecnologia para os maiores de 50 anos.
Antes apenas discutida em círculos de especialistas, eldertronics foi exposta ao público em 2009, para ser mais exato, na Feira de Eletrônicos para Consumidores em Las Vegas, que muitas pessoas consideram a feira de tecnologia mais importante do mundo. Em conjunto com a AARP, a Associação Americana de Aposentados, inventores e empresas apresentaram suas últimas ideias na feira. E Suzan Ayers Walker, Diretora de Gerenciamento da SmartSilvers Alliance, mostrou toda sua confiança nas vantagens do mundo digital e previu uma demanda maior por produtos e serviços que ofereçam mais qualidade de vida na velhice. Assim, nos Estados Unidos, as pessoas já falam em um “mercado de cabelos brancos”.
Mais ou menos 46 milhões de cidadãos americanos têm artrite e mais de 30 milhões sofrem de perda auditiva. Até este momento, eles têm sido praticamente ignorados por todas as indústrias de eletrônicos. Hoje, a “divisão digital” a qual o ex-Secretário Geral das Nações Unidas Kofi Annan falou a respeito certa vez, descreve não só as diferenças entre nações industrializadas e nações em desenvolvimento, mas também as diferenças entre gerações. E os baby-boomers, a geração nascida em 1946 e 1964 agora estão começando a envelhecer, não só são os idosos mais ricos da história da humanidade, mas também têm afinidade com a tecnologia.
A lupa eletrônica que está disponível nas versões mais recentes de grandes sistemas operacionais podem ser encarada como um sinal dos tempos. Mas em Las Vegas, o CAST, Centro de Tecnologia de Serviços para a Velhice, também apresentou uma casa do futuro, totalmente adaptada para idosos. CAST é uma organização que tomou para si a responsabilidade de apoiar tendências que tornem o envelhecimento mais prazeroso e autônomo. Hoje em dia, ela se tornou uma cooperação internacional com mais de 400 empresas de tecnologia e serviços de emergência, universidades e órgãos governamentais.
Klaus Schilling da associação de pesquisa “FitForAge” imagina robôs carregando sacolas de compras para casa, um instrutor de ginástica e um aparelho que ajuda os avós a tomar conta dos netos. Os estandes em Las Vegas já estão exibindo telefones celulares com botões de proporções enormes, um “telefone pílula” que ajuda as pessoas com seus medicamentos e ao mesmo tempo as alerta sobre os perigos de outros medicamentos. Pequenos aparelhos podem dar a médicos dados como nível de açúcar no sangue, pressão sanguínea e frequência cardíaca, enquanto outros automaticamente soam alarmes em situação de emergência.
Fonte: Revista Hear the World nº 11



