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Quando eu escuto um som que ninguém mais escuta
15/03/2011
O zumbido – Um barulho fantasma do ouvido
Infelizmente não podemos mudar o fato de que estamos sujeitos a ouvir certos sons que nem sempre desejamos escutar ou às vezes não gostamos muito de perceber. Na maioria das vezes tentamos manter a calma, mas na maioria das vezes nos irritamos. Sons indesejáveis podem ser percebidos por todos ou não. Existe um número crescente de pessoas que percebem sons que não são emitidos por ondas sonoras que compõem as informações de fala, música ou ruídos em geral. Trata-se de um fenômeno que foi reconhecido de certa forma recentemente: Tinnitus, que vem de tinnire, a palavra latina do latim para zumbido.
O zumbido é tão antigo quanto a própria história. Existem descrições das manifestações desse fenômeno em doenças do Egito antigo. No entanto, o que era raro no passado cresceu e hoje se tornou praticamente uma endemia. De acordo com pesquisas internacionais, 40% da população da Europa e dos Estados Unidos já sentiram zumbido em seus ouvidos em algum momento. Aproximadamente 10% sofrem da percepção desse som de maneira crônica. A qualidade de vida de aproximadamente um décimo dos europeus e americanos foi tão reduzida pela percepção desse ruído que eles foram sujeitados a um tratamento psicológico para hipertensão, falta de concentração, distúrbios do sono e, até depressão.
Muito barulho
A descoberta desses dados leva apenas a uma conclusão: o zumbido é um fenômeno da civilização, é bem mais frequente na vida moderna do que podemos imaginar. Nas últimas décadas, ficamos cada vez mais expostos ao ruído em geral. Isso trouxe uma série de prejuízos para o ouvido, o mais sensível dos órgãos sensitivos. Há muito barulho ao nosso redor. Por isso, não surpreende que danos causados pela exposição frequente e constante a níveis elevados de som seja a causa mais frequente do zumbido. O órgão da audição, sobrecarregado com ruído do trânsito, do ambiente de trabalho, e também cada vez mais exposto pela exposição ao som alto presente nas atividades de lazer como disco, baladas, shows, aparelhos de som, MP3 players, etc. As pessoas que referem o zumbido podem percebê-lo esporadicamente em um ou nos dois ouvidos. O som percebido pode variar: chiado, assobios, apitos finos, ruídos sibilantes, e até vozes, em volumes bastante variados. O repertório de sons percebidos é tão variado quanto suas causas. Além da exposição excessiva em um ambiente ruidoso, doenças do ouvido, e outras, como problemas circulatórios e ortopédicos na região do pescoço e ombros, alterações nas estruturas da mastigação, alguns medicamentos e cansaço físico e mental, que hoje são denominados “estresse” podem provocar zumbido. Além disso, o zumbido também pode ser o primeiro sintoma de uma perda auditiva progressiva, que por sua vez pode se tornar um problema ainda maior, já que a manifestação interna de ruído que constitui o zumbido pode ser mascarada cada vez menos pelos ruídos externos.
Difícil de entender – difícil de tratar
Esta confusão entre causas físicas e psicológicas tornam o diagnóstico e tratamento do zumbido longo e difícil. Tratamento com medicamentos tem demonstrado sucesso, mas não em todos os casos. Quando os médicos identificam claramente uma lesão no ouvido interno causada por trauma após uma explosão ou níveis de ruído entre 90 e 120 decibéis, ou seja, volumes duas vezes maiores que os toleráveis, tratamentos como infusão precoce ou oxigênio hiperbárico podem ser usados. É mais difícil saber por onde começar se o zumbido for de natureza psíquica. Neste caso, aconselhamento sobre zumbido é necessário, dando a pacientes geralmente preocupados conselhos aprofundados e individuais sobre o tipo, causa e prognóstico da doença, seguido de tratamentos que vão desde técnicas de relaxamento até terapia comportamental cognitiva.
O lado positivo do zumbido
Como a dor, o zumbido tem uma função importante. É um sinal de alerta, que chama sua atenção para um problema no corpo ou na mente. Como o alarme do zumbido não para de soar, mais cedo ou mais tarde, aqueles que o tem procuram ajuda profissional como a de um médico otorrinolaringologista. O zumbido também pode avisar sobre os estágios iniciais de uma perda auditiva que ele desconhecia. Um aparelho auditivo pode ajudar neste caso, fortalecendo os ruídos do ambiente, o que, entretanto pode mascarar o ruído. No final das contas, o sucesso dos vários tratamentos dependerá não só da causa, mas das características da personalidade do paciente. As pessoas percebem e compensam o ruído de tantas formas diferentes quanto as formas assumidas por este problema. Se esta forma não funcionar, a única solução é procurar ajuda médica o mais rápido possível, antes que seja impossível escapar da tortura do ruído incessante.
Anno Bachem para Revista Hear the World nº 6




