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Perguntas e Respostas

O que é a triagem auditiva neonatal?
Os programas de triagem auditiva neonatal (TAN) foram estabelecidos com o objetivo de possibilitar a identificação da perda auditiva nos primeiros meses de vida. Sabe-se que quanto mais cedo for realizado o diagnóstico, melhor será o prognóstico da criança que apresenta uma perda de audição.

No Brasil, desde 1988 existe legislatura sobre a TAN. Os programas têm sido implementados pouco a pouco e hoje é possível a sua realização na maior parte das maternidades e hospitais do país.

O procedimento da triagem é realizado pelo fonoaudiólogo, um profissional habilitado para trabalho com a saúde auditiva infantil. Ele deve ser realizado no hospital, logo após o nascimento e antes da alta.

No momento do exame, será colocado um fone desenvolvido especialmente para o bebê, e será transmitido um som numa intensidade bem fraca. A resposta para este som será automaticamente registrada pelo equipamento. Os testes utilizados são muito confiáveis.

Se o bebê não apresentar respostas, ou seja, se houver falha na TAN, ele será reavaliado. Se não forem observadas respostas, seu bebê deverá ser encaminhado para um local onde poderá ser realizado o diagnóstico audiológico.

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Por que a realização da triagem auditiva neonatal é importante?
As estimativas apontam que a perda auditiva afeta cerca de 1 a 3 bebês para  cada 1000 nascimentos.

Entidades nacionais e internacionais (SOB, SBORL, SBFA, ABA, SBP) apóiam e recomendam a TAN para que a perda auditiva seja identificada e o bebê possa receber os encaminhamentos necessários nos primeiros 6 meses de vida. Esta recomendação é baseada nos resultados de estudos, que apontam para uma melhora significativa no desenvolvimento das habilidades de linguagem das crianças que foram identificadas, encaminhadas para o processo de adaptação de aparelhos e reabilitação nos primeiros meses de vida.

Quando a possibilidade do diagnóstico da deficiência auditiva ocorre tardiamente, a criança poderá sofrer prejuízos no desenvolvimento das habilidades auditivas, cognitivas e linguísticas.

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A Perda da audição é uma doença comum em bebês?
A maioria das perdas auditivas neurossensorias ocorre devido a uma lesão total ou parcial das células ciliadas da cóclea, que compromete a funcionalidade deste órgão responsável pela transmissão da informação sonora para o cérebro.

No caso das crianças em que a causa da perda auditiva é conhecida, estima-se que há uma grande porcentagem de fatores genéticos associados. No entanto, existe uma série de fatores que poderão causar a perda de audição.

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Quais são as causas da perda auditiva em bebês?
A perda auditiva em bebês pode ser causada por uma série de fatores. São considerados fatores de risco para a deficiência auditiva em bebês:


    • Prematuridade
    • Hiperbelirrubinemia
    • Uso de medicamentos ototóxicos
    • Permanência em incubadora
    • Uso de ventilação mecânica
    • Baixo peso ao nascimento
    • Meningite.
    • Presença de malformação
    • Algumas doenças adquiridas durante a gestação, tais como
      • Rubéola
      • Citomegalovírus
      • Toxoplasmose


Em alguns casos, a perda auditiva também pode ser causada por uma mutação genética. Apesar de todos esses indicadores, ainda em muitos dos casos o fator determinante da deficiência auditiva ainda não é conhecido.

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Como é realizado o exame na triagem auditiva neonatal?

A triagem auditiva poderá ser realizada por meio de dois procedimentos diferentes: potencial evocado auditivo de tronco encefálico e emissões otoacústicas. Ambos os procedimentos são confiáveis, não invasivos, indolores e o registro da resposta ocorre de forma automática. O teste é rápido, fácil e deve ser realizado na maternidade, antes da alta hospitalar.

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O que é potencial evocado auditivo de tronco encefálico (PEATE)?
Para que a informação sonora possa ser processada, o som deverá passar pelas estruturas que compõem o sistema auditivo: orelha externa, orelha média, orelha interna e estruturas neurais. Na orelha interna, a informação sonora será transformada em impulso elétrico que será transmitido às estruturas responsáveis pelo seu reconhecimento no cérebro. Essa informação é conduzida pelo nervo auditivo.

O potencial evocado auditivo de tronco encefálico (PEATE) é uma medida eletrofisiológica da resposta ao estímulo sonoro que permite a avaliação da integridade da via auditiva periférica. Para a sua realização, são colocados alguns eletrodos na face da criança. Será apresentado um estímulo sonoro por meio de um fone desenvolvido exclusivamente para os bebês. A resposta ao estímulo será registrada num programa de computador específico, onde são observadas uma série de ondas e suas características serão analisadas.

O examinador poderá apresentar uma série de estímulos, que poderão diferenciar em características acústicas e intensidades.
No caso da triagem auditiva neonatal, o PEATE é realizado por meio da utilização de apenas um estímulo, em uma única intensidade, a fim de verificar se houve resposta para este sinal específico. Normalmente, o estímulo utilizado é o clique.

O clique é um estímulo que caracterizado por estimular diferentes áreas da cóclea ao mesmo tempo. Normalmente é apresentado em uma intensidade mais fraca. Se a resposta for observada, significa que o bebê passou na triagem auditiva. Geralmente o exame é realizado em 15 minutos.

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O que é o exame de emissões Otoacústicas (EOA)?
O registro das emissões otoacústicas diz respeito à medida da energia das células ciliadas externas da cóclea produzidas em resposta a um estímulo sonoro. Essa energia é produzida quando as células estão funcionando normalmente, ou seja, quando as emissões otoacústicas são registradas significa que a parte do sistema auditivo responsável pela recepção do som está funcionando adequadamente.

O exame é realizado por meio da colocação de uma pequena sonda na parte mais externa da orelha do bebê. Para que possamos captar este registro, a criança deverá estar em sono leve ou muito tranqüila, visto que qualquer movimentação ou ruído poderá interferir no registro do exame.

A resposta ao estímulo sonoro será registrada em um programa específico do equipamento, que poderá ser visualizada na tela do computador. Se ela for observada (emissões presentes), significa que a criança passou na triagem auditiva com emissões otoacústicas. É um procedimento rápido, que pode levar em torno de 5 a 8 minutos.

Este é o procedimento adotado com maior freqüência nos hospitais e maternidades que realizam a triagem auditiva.

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EOA e PEATE - um exame é melhor qe o outro?
Como vimos anteriormente, a triagem auditiva poderá ser realizada por meio de dois procedimentos: o Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE) e as Emissões Otoacústicas (EOA).

Ambos possuem algumas vantagens e desvantagens quando utilizados de maneira independente, pois avaliam estruturas diferentes do sistema auditivo. Cada programa poderá definir qual o método adotado. De acordo com a recomendação dos órgãos científicos de referência, deverá ser utilizada a combinação do PEATE com as EOAS para todos os bebês que possuem fatores de risco para deficiência auditiva.

A utilização das emissões otoacústicas é um procedimento fácil e de custo benefício (efetividade) positivo. No entanto, pode gerar um alto número de falsos positivos (casos que falham no teste e possuem audição normal) devido às questões condutivas, o que gera um número maior de retornos para reteste e diagnóstico.

Dados de estudos internacionais estimam que quando é utilizado o PEATE os falsos positivos são de aproximadamente 4% se o teste for realizado nos primeiros 3 dias de vida.  No caso da utilização das EOA , esse número aumenta de 5 a 21% para o mesmo período de realização, ou seja, durante os primeiros 3 dias de vida.
Essa variação demonstra como a sensibilidade das EOAs aumenta para os fatores como presença de vérnix e líquido amniótico presente no canal auditivo do conduto do bebê.

Os dois procedimentos são muito confiáveis e diferem nos mecanismos de registro para o teste. Para uma avaliação mais detalhada, esses procedimentos fornecem maiores informações se forem realizados juntos, de maneira complementar.

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O que significa a falha quando o meu filho não passa na triagem auditiva neonatal?
Quando o bebê falha na triagem auditiva não necessariamente significa que ele possui uma perda auditiva. Os procedimentos de triagem são testes realizados com apenas um estímulo, em uma intensidade, e que podem sofrer a influência de alguns fatores quando pensamos em bebês tão pequenos. Uma das causas mais freqüentes de falha na triagem seria a presença de alguma secreção na orelha do bebê, que bloqueia a passagem do som e atrapalha a captação do registro pela sonda.

Uma situação semelhante é quando há presença de alguma secreção na orelha média, geralmente presente quando ocorrem as otites. Esta condição não permite a condução do estímulo sonoro da maneira devida e poderá provocar uma falha no registro.  Neste caso, a criança deverá ser encaminhada ao médico otorrinolaringologista e, após a realização de um tratamento, deverá refazer os exames.

Outro fator que poderá provocar a falha na triagem é a presença de ruído excessivo ou movimentação da criança durante o teste. A resposta aos estímulos sonoros são muito sensíveis e poderão sofrer a influência dos ruídos respiratórios, de sucção ou da própria movimentação do bebê. Qualquer movimentação ou choro poderá interromper o equipamento no momento do registro da resposta. Alimentar o bebê antes da realização do teste pode ser uma estratégia que auxilie no estado geral da criança no momento da avaliação. Cabe ressaltar que nenhum teste provoca alguma reação de desconforto ou dor. Eventualmente a criança poderá parecer incomodada, e acreditamos que tal reação ocorra devido ao fato do bebê estar vivenciando uma situação nova.

Se a criança falhou na triagem e no reteste, ela deverá ser encaminhada para um serviço de diagnóstico e para o médico otorrinolaringologista, para que a audição possa ser avaliada de maneira completa.

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Qual a diferença entre triagem auditiva e os procedimentos de diagnóstico?
A diferença básica entre a triagem auditiva e a avaliação diagnóstica está no tipo de informação obtida para cada um dos procedimentos realizados. Por exemplo, se uma criança falha na triagem auditiva, não podemos afirmar que ela possui uma perda auditiva, quais seriam as características e o tipo da perda. Todos esses dados só serão possíveis de serem obtidos por meio dos procedimentos de diagnóstico, nos quais a audição será avaliada por uma série de exames, cada um com um objetivo diferente.

O processo de diagnóstico envolve uma colaboração maior da criança e da família no momento de sua realização. Geralmente é realizado novamente o PEATE, com estímulos diferentes e em intensidades diferentes, são obtidos os registros das emissões otoacústicas e serão obtidas respostas comportamentais também, a fim de obter maiores informações sobre as características da audição do bebê.

Durante os procedimentos de diagnóstico, a criança também deverá estar dormindo ou bem tranqüila para realização das avaliações.

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Se o meu bebê não realizou a triagem auditiva na materinidade o que devo fazer?
Se seu bebê não realizou a triagem auditiva na maternidade ou hospital onde nasceu, entre em contato com seu médico de referência ou procure o serviço responsável para encaminhamento para algum serviço onde é realizada a triagem auditiva. No Brasil existem serviços da rede pública que realizam a triagem gratuitamente.

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Se o meu bebê não passou na triagem auditiva, o que devo fazer?
Às vezes, alguns fatores simples, como excesso de líquido amniótico residual ou vérnix no canal auditivo poderão provocar a falha na triagem, e o bebê deverá ser encaminhado para reteste.

Se o bebê não passar no reteste, ele deverá ser encaminhado para um serviço de diagnóstico audiológico e deverá ser avaliado pelo médico otorrinolaringologista.

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Se o meu bebê foi diagnosticado com perda auditiva, quais são os próximos passos que deverei seguir?
Se o seu bebê falhou na triagem auditiva neonatal e já possui o diagnóstico da perda auditiva, muitas dúvidas devem estar surgindo neste momento sobre o que fazer, onde procurar ajuda, etc.

Atualmente a tecnologia permite a utilização de muitos recursos importantes para adaptação do aparelho auditivo o mais cedo possível. Além disso, o investimento no processo de terapia fonoaudiológica, bem como a utilização dos aparelhos auditivos são determinantes para que a criança desenvolva a habilidade de fala e comunicação.

Por este motivo, após terem sido realizados os exames, o bebê deverá ser encaminhado para um serviço de indicação de aparelhos. Neste período também deverá ter início o processo de reabilitação, conduzido pelo fonoaudiólogo.

É de extrema importância o acompanhamento com o médico otorrinolaringologista e o pediatra regularmente.

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A deficiência auditiva é sempre igual para todas as crianças?
Não. Existem tipos, graus e comprometimentos diferenciados para cada perda de audição. Os efeitos e a compensação dos prejuízos causados pela privação sensorial são diferentes para cada criança. 

Com relação à perda auditiva, existem dois tipos de alteração: a perda auditiva condutiva e a perda auditiva neurossensorial. A perda auditiva condutiva é causada por algum problema na orelha média que atrapalha a condução do estímulo sonoro até a cóclea. Pode ser uma infecção, acúmulo de secreção ou malformação das estruturas do ouvido médio. Geralmente essa alteração pode ser tratada pelo médico otorrinolaringologista e a utilização dos aparelhos auditivos é discutível.

A perda auditiva neurossensorial ocorre quando existe alguma alteração na cóclea ou demais estruturas do ouvido interno. É um tipo de alteração irreversível e demanda a utilização de aparelhos auditivos ou implante coclear para que a informação sonora possa ser utilizada.

Podem ocorrer os dois tipos de alteração em conjunto.
No que se refere ao grau da perda, ela poderá ser leve, moderada, severa ou profunda. É comum que tentamos pensar em níveis de comprometimento em termos de porcentagem. No entanto, a audição é um sentido que não pode ser mensurado de maneira linear. Por este motivo utilizamos as denominações anteriormente descritas.

Independente do grau, a alteração auditiva provoca um prejuízo importante para o desenvolvimento da habilidade de linguagem da criança.  Ou seja, a diminuição na capacidade de perceber os estímulos sonoros interfere no desenvolvimento da função auditiva e de comunicação. Por este motivo, se pensarmos no desenvolvimento da fala e destas habilidades, é extremamente importante a utilização dos aparelhos auditivos e o processo de terapia fonoaudiológica.

O uso dos aparelhos ou implante coclear permite o acesso à informação auditiva.

O desenvolvimento do sentido e significado desta informação e a construção das habilidades linguísticas só serão possíveis se o bebê/criança estiver inserido num programa de reabilitação fonoaudiológica. Neste contexto, o envolvimento familiar é um aspecto importante e determinante para o desenvolvimento da criança.